ARTIGO – MAIS MULHERES NAS ELEIÇÕES DE 2026
As eleições de 2026, apresentam um importante avanço da participação feminina na política . Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral , pela primeira vez, após a aprovação da lei de cotas em 1997, determinando que 30% das vagas por partido político, sejam para mulheres , o Estado do Ceará , apresenta nas eleições de 2026, um quadro de 244 mulheres candidatas , um percentual de 35,6% , sendo 132 a deputada estadual , 110 a deputada federal e duas ao senado .
Desde a aprovação do voto feminino em 1932, há exatos 94 anos atrás , a mulher vem conquistando novos espaços na política , embora de forma lenta .
A partir de 1965, ocorreu mais um avanço , foi lhe dado também o direito de ser candidata , isso demorou 65 anos . Ainda hoje, a sub-representação feminina nos parlamentos e no executivo, é um fato presente , representa apenas 17% , no caso do parlamento .
De lá para cá, a luta por mais espaços femininos nos partidos e nos legislativos , tem sido intensa, e vem se consolidando com o apoio do TSE, que em várias eleições vem apresentando ideias e campanhas educativas , colocando a mulher no centro das atenções . Afinal , a mulher é maioria da população e 52,3% do eleitorado .
Por outro lado, outras campanhas como a do empreendedorismo feminino , desenvolvido por várias instituições , ligou o botão de alerta , para esse outro lado que diferencia o homem da mulher , considerada mais empreendedora e mais honesta ,encorajando mais a participação feminina na política partidária .
Não podemos esquecer também , que a violência contra a mulher e o feminicídio , um ato fatídico contra a mulher e sua família , vem despertando na sociedade a importância sua maior participação nos parlamentos , onde são elaboradas as leis e , no executivo , onde são executadas as políticas públicas .
Enfim, o direito ao voto feminino significou mais do que a possibilidade de votar e ser votada. Colocou a mulher como um ator ativo do eleitorado, e ajudou a impulsionar a mudança do papel da mulher na sociedade, inclusive no mercado de trabalho. Foi o início de um movimento que reconhece que o lugar da mulher é onde ela quiser:A conquista do voto feminimo não se refere apenas ao direito político. Na verdade, vem junto todo o debate do papel da mulher nos espaços sociais. Discutem-se políticas públicas de equidade, quem está representado pelos legisladores. Ou seja, é uma mudança cultural e política que diz respeito à dignidade e à igualdade. São imperativos fundamentais, na minha avaliação, para se pensar uma sociedade mais justa e que respeita as pessoas.
Porque quando as mudanças vêm equilibrar os direitos, atingem toda a sociedade .
Silvana Ximenes Frota
Jornalista, escritora , filiada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará , a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e a Academia Cearense dos Municípios .
